O Secovi-SP realizou nesta quarta-feira (7/10) a reunião presencial da vice-presidência do Interior, conduzida pelo vice-presidente Frederico Marcondes Cesar. O encontro reuniu diretores das regionais, com transmissão on-line, e abordou atuação legislativa, mercado de loteamentos, calendário de eventos e comunicação.
Na abertura, Frederico destacou o trabalho das regionais, apresentado em vídeo institucional. "Pedi que, durante a nossa fala, colocassem o rotativo para vocês verificarem o quanto as nossas regionais têm feito no interior. É um pouco do muito que elas têm feito em termos de eventos, reuniões e debates com os poderes regionais, seja prefeitura, seja câmara municipal", afirmou. Em seguida, Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, fez a saudação e apresentou o Instituto Ampliar, evolução do programa social criado pela entidade há 35 anos. "Temos uma estrutura e uma fundação muito sólidas no Instituto Ampliar para fazer uma série de coisas. Ele tem um estatuto moderno e ganhou outra dimensão, mas, se a gente não o ajudar, ele não vai decolar. Vamos desenvolver competências, tornar essas pessoas em situação de vulnerabilidade mais autônomas financeiramente e estabelecer conexões para que consigam emprego. Tudo isso vai ajudar muito a melhorar a imagem do setor", disse.
Jéssica Dias, gestora Administrativa, Estratégica e Jurídica do Secovi-SP, apresentou o Núcleo de Desenvolvimento de Mulheres (NDM). Desde julho, 16 mulheres, selecionadas entre 45 inscritas, participam de encontros com lideranças das 16 áreas de atuação da entidade. "O objetivo é trazer voz e visibilidade para essas mulheres. A gente percebe que os homens têm uma facilidade muito maior de ter um patrocinador, alguém que os apresente, e as mulheres também precisam disso. Como há muito mais homens do que mulheres, precisamos que eles também tragam essas mulheres. Não queremos fazer segregação, pelo contrário: o objetivo é trazer todo mundo para o jogo", explicou. Ela destacou ainda que a proposta vai além da entidade. "A ideia não é ser somente aqui dentro do Secovi. A gente propõe que as empresas também façam isso no dia a dia dos seus negócios e identifiquem essas mulheres", afirmou. A iniciativa segue até dezembro de 2027, e um encontro com todas as associadas está marcado para 15 de dezembro.
Enconto reuniu os executivos do Secovi SP e das regionais da entidade no Estado
Na atualização dos assuntos legislativos, Pedro Krähenbühl, diretor Relações Institucionais, avaliou que a pauta no Congresso está contida pelo momento político. "Acho que agora as pautas legislativas estão um pouco represadas por conta desse momento político", disse. Ele destacou a baixa renovação do Legislativo. "Foi a menor renovação do Congresso. Isso é um dado da força do parlamento, da força da emenda parlamentar, dos líderes partidários e do deslocamento do poder para o Legislativo", afirmou. Pedro também citou a interlocução do setor com os parlamentares. "Temos um leque bom de deputados, de vários espectros políticos, com uma receptividade muito boa ao pleito do setor. Vários deles foram reeleitos com esse relacionamento já construído, não só com o Secovi, mas com todas as nossas entidades parceiras do setor imobiliário em nível nacional", observou. Sobre a PEC da escala 6×1, explicou o andamento no Senado. "O Senado está seguindo o rito ordinário, que exige cinco sessões de debates, em primeiro e segundo turno. Nesta semana teremos apenas debates e, se esse calendário for cumprido, haverá votação em primeiro turno na próxima semana", disse.
O principal bloco foi conduzido por Caio Portugal, vice-presidente de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Secovi-SP e presidente da Aelo, apresentado por Ângela Paiva, diretora regional do Secovi-SP em São José dos Campos. Caio expôs dados da pesquisa de loteamentos mantida pelo Secovi-SP e pela Aelo desde 2016. "A média dos lotes era acima de 260 metros quadrados em todos os loteamentos residenciais. Hoje essa média está abaixo de 220 e cada vez mais próxima de 200. É a mesma lógica do microapartamento: como é que você faz para caber no bolso das pessoas? Tem que fazer um tíquete que caiba no bolso das pessoas", afirmou. Sobre preços, observou: "No período, o preço médio passou de R$ 508 para R$ 621 o metro quadrado, o que dá perto de 20% de aumento. A inflação foi essa, ou seja, o preço basicamente reproduziu a inflação e não teve incremento real."
Segundo ele, a margem do setor está sob pressão. "A margem está sendo espremida de forma bastante acelerada. O concreto usinado, que tínhamos antes da pandemia perto de R$ 250 o metro cúbico, hoje está perto de R$ 580. O CBUQ era algo como R$ 2.600 a tonelada e hoje está perto de R$ 6.000. Só que o preço não evoluiu dessa forma, porque o bolso das pessoas não evoluiu dessa forma. Antes, o custo de urbanização representava no máximo 20% a 25%. Hoje ele já está batendo perto de 35% a 40%", disse. Caio também apontou a concorrência com o Minha Casa, Minha Vida. "Um lote econômico hoje tem uma parcela perto de R$ 1.000, R$ 1.100. No Minha Casa, Minha Vida, na faixa 2, a prestação é de R$ 1.000, R$ 1.200, já morando. Não tem como concorrer. O cliente tem que pôr a casa em cima do lote", afirmou. Angela complementou: "O custo da infraestrutura está cada vez mais alto e não temos nenhum financiamento que garanta isso para o empreendedor. Ele faz as obras com o que vai captar das vendas e com prazos cada vez mais longos. Se eu encurto o prazo, aumento a prestação e dificulto ainda mais para o cliente conseguir pagar. E, no econômico, o custo da obra é o mesmo de um alto padrão: os tubos de água, a tubulação, o asfalto e a pavimentação são os mesmos."
Entre os avanços do setor, Caio citou a criação de uma agência da Cetesb dedicada ao desenvolvimento urbano. "Depois de dois anos, conseguimos criar uma agência da Cetesb específica para o desenvolvimento urbano. Construímos uma série de formulários e critérios objetivos de apresentação de projetos para obtenção da licença prévia e da licença operacional. A Cetesb tinha um passivo de quase 14 mil termos de compromisso de recuperação ambiental no início dessa gestão e hoje tem perto de 1.300", disse. Ele também detalhou a nova regra para projetos de menor porte. "Foi criada uma regra: abaixo de 1 milhão de metros quadrados, para projetos de parcelamento do solo, independentemente de estar ou não na mancha urbana, o processo vai direto ao Graprohab. A agência de impacto dentro da Cetesb cuida do processo de ponta a ponta, e isso vai trazer mais clareza e mais dinâmica", explicou. Para aproximar o setor do serviço público, Caio destacou a Universidade Secovi. "Uma das ações que temos feito de forma reiterada é trazer servidores públicos das prefeituras para fazer os cursos aqui. No último curso tínhamos 165 alunos: 15 eram da Cetesb e perto de 25 eram servidores de prefeituras", afirmou.
No saneamento, Caio explicou o novo cenário. "A partir de agora, o município inteiro passa a ser obrigação de universalização da concessionária. Isso significa que, em qualquer empreendimento que eu for fazer, ela tem a obrigação de me dar o ponto de conexão na porta. Se não der e tiver que discutir, a regra já está colocada: ou ela faz, ou eu faço e ela me ressarce", disse. Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP, lembrou a demanda do setor no Pró-Saneamento. "Tínhamos também uma demanda do setor de loteamento no Pró-Saneamento do Fundo de Garantia. Apesar de ainda não estar regulamentado, aprovamos na última reunião do Conselho Curador que a infraestrutura não incidente poderá ser financiada para as empresas. Ainda não saiu a regulamentação nem o prazo", afirmou.
Para o futuro do loteamento econômico, Caio defendeu a combinação com a incorporação. "O setor de loteamento, especialmente o econômico, não tem jeito: vamos ter que pôr unidades edificadas dentro para ter sobrevivência. Foi feita uma alteração na Lei 4.591, a lei de incorporações imobiliárias, que inseriu o artigo 68-A. Ele permite fazer uma incorporação imobiliária em lotes urbanizados, juntos ou separados, para casas geminadas ou não, com dispensa da convenção de condomínio", explicou. Ao responder sobre o espraiamento das cidades, afirmou: "Não existe solução única para a produção de cidades. Tem cidade que vai ter perfil horizontal e crescer espraiando, e tem cidade que vai ter necessidade de adensar. O que você tem que fazer é a justa correlação entre investimento, atendimento de demanda e uma construção correta do ponto de vista técnico e de desenvolvimento." Ângela reforçou o argumento. "Cada situação é uma situação, cada cidade é uma realidade e uma cultura. Uns querem verticalizar, outros querem espraiar, e que seja de forma ordenada, com um desenvolvimento urbano ordenado", disse.
Na pauta de eventos, Jonatas Firmo, gestor de Eventos e Cerimonial do Secovi-SP, apresentou o balanço do IMOBICOM, realizado em agosto, em Campinas. "O projeto nasceu no final do ano passado, no intuito de levar ao interior um pouco do que o Secovi aplica sob a ótica da convenção, melhorando o posicionamento estratégico da entidade e se posicionando com mais força como interface entre o poder público e o empresariado. Trabalhamos em torno de 60 dias e atingimos números que quebram um pouco o paradigma dos eventos já realizados no interior: cerca de 190 empresas diferentes, mais de 550 participantes e 17 patrocinadores, além de aproximadamente R$ 280 mil de retorno de mídia, todo ele positivo", afirmou. Ele anunciou a próxima edição. "O IMOBICOM nasceu para ser itinerante e vai circular pelas outras regionais. O próximo será em São José dos Campos, no dia 6 de maio", disse. Frederico acrescentou: "A ideia do IMOBICOM é um dia inteiro em que podemos debater vários temas da cadeia produtiva que representamos. Vamos continuar fazendo o Encontro do Mercado Imobiliário, que realizamos há mais de 15 anos. Em Campinas foram 42 palestrantes e 550 pessoas presentes, foi realmente um grande evento." Ângela destacou o alcance regional da próxima edição. "Não é um evento de São José dos Campos, é um evento regional, do Vale do Paraíba, do Litoral Norte e da Serra. É extremamente importante a participação de todos e levar conteúdos que façam a diferença para os nossos empreendedores", afirmou.
Felipe Perella, gestor de Comunicação do Secovi-SP, apresentou o balanço de imprensa das regionais. "Ao longo desses nove meses tivemos 243 matérias publicadas no interior, e o grande destaque é o retorno de mídia, de mais de R$ 10 milhões. Isso mostra a força da comunicação local, não só nos impressos, mas no rádio, que tem um destaque muito grande, e na TV, que também é muito forte localmente. A gente está sempre nas grandes imprensas locais, nas afiliadas da Globo, do SBT e da Record", afirmou. Frederico completou: "A cada ano que passa estamos ocupando mais espaço na mídia, com mais bonificações e mais centímetros quadrados, graças à atuação das nossas regionais, que estão realizando mais eventos. Temos uma média de 150 a 180 eventos e reuniões realizados nessas oito regionais."
Júlio Diaz, presidente da ACIGABC, convidou os presentes para o 13º Construindo o Grande ABC, no dia 29, em São Bernardo, com a mesma característica do IMOBICOM.