A relação entre o crescimento das cidades, a preservação ambiental e a sustentabilidade econômica esteve no centro dos debates do IMOBICOM Regionais 2026, promovido pelo SECOVI-SP com apoio da PROEMPI, SECOVI Campinas e SECOVI Piracicaba.
A convite da PROEMPI, o engenheiro Sinésio Scarabello Filho participou do painel "Expansão dos Limites Urbanos: desafios do uso urbano e rural", ao lado de especialistas da área, defendendo a necessidade de um planejamento urbano capaz de conciliar desenvolvimento, proteção ambiental e qualidade de vida. Mediado por Roberta Simeoni, diretora de Urbanismo do Secovi-SP, participaram do painel, Marcelo Schwartzman, sócio Finocchio & Ustra Sociedade de Advogados; João Aquino, sócio Aquino Araujo Advogados; Rafael Urbano, sócio Fundador da URBN.
Durante sua apresentação, Sinésio destacou que a expansão urbana é um fenômeno natural do desenvolvimento das cidades e que o debate precisa ir além da visão de que esse processo ocorre apenas em função das pressões do mercado imobiliário. "Além da dinâmica econômica, a expansão urbana também é impulsionada pelo crescimento populacional e pela perda de sustentabilidade econômica de muitas propriedades rurais. Quando não existem alternativas viáveis para esses territórios, aumentam os riscos de abandono, parcelamentos irregulares e ocupações precárias. Por isso, a expansão planejada pode ser um importante instrumento para proteger os recursos naturais e promover o desenvolvimento ordenado das cidades", afirmou.
Segundo o engenheiro, uma expansão urbana verdadeiramente sustentável deve integrar diferentes dimensões do desenvolvimento. Isso significa preservar os ativos ambientais, incorporar soluções tecnológicas que tornem a infraestrutura mais eficiente, promover qualidade de vida para a população e garantir sustentabilidade econômica aos municípios e às propriedades rurais localizadas em regiões de forte pressão urbana.
Políticas públicas e uso adequado dos instrumentos previstos na legislação: crescimento ordenado
Sinésio também chamou a atenção para a realidade de cidades como Jundiaí e de toda a região, onde pequenas propriedades rurais enfrentam dificuldades para competir economicamente com áreas agrícolas de maior escala. Nesse contexto, defendeu que o planejamento urbano deve oferecer alternativas que conciliem a conservação ambiental com a viabilidade econômica dessas áreas.
Outro ponto abordado foi a necessidade de superar interpretações simplificadas sobre o crescimento das cidades. Para ele, problemas urbanos como mobilidade, segurança e infraestrutura não podem ser atribuídos exclusivamente à expansão urbana, mas devem ser enfrentados por meio de políticas públicas, planejamento territorial e uso adequado dos instrumentos previstos na legislação. "Não se trata de escolher entre preservar ou desenvolver. O desafio é construir soluções que permitam às cidades crescer de forma organizada, protegendo seus atributos ambientais e oferecendo melhores condições de vida para a população", ressaltou.
Para o presidente da PROEMPI, Fernando Sampaio Rodrigues, a participação da entidade no IMOBICOM reforça o compromisso do setor imobiliário com um debate técnico e qualificado sobre o futuro das cidades. "O desenvolvimento urbano responsável depende do diálogo entre poder público, iniciativa privada, especialistas e sociedade. Precisamos discutir o crescimento das cidades com base em dados, planejamento e visão de longo prazo, sempre buscando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e qualidade de vida", concluiu o presidente da PROEMPI.